segunda-feira, 3 de maio de 2010

saí por aí,
sem saber por onde,
ou até mesmo porque,
apenas saí.

foi numa dessas que me perdi,
na verdade,
ao certo não sei...
...se me perdi,
ou me encontrei.

e foi assim,
de sair por sair
muitas coisas descobri
ao certo, muitas vida ainda não vivi,
mas de certo,
para essa pouca vida,
bastante coisa já vi.

não vi cristo,
nem bruxas,
não vi...
não vi pedras rolarem,
nem piratas,
fantasmas não vi...
...assombração sai de mim.

foi numa dessas
de sair por ai
que realmente eu vivi.

foi quando deixei para traz
um pouco do você,
o "outro" que sempre diz estar junto
jura amor, ser fiel...
...aos segredos: boca de túmulo.

foi quando eu pus na bagagem
um pouco de mim
e percebi quanta coisa cabia ali

chinelo velho,
roupa suja,
sair de bicicleta,
e usar só bermuda...

isso sem falar,
lápis, borracha,
poesia, caderno...
...pincel, violão velho,
e uma nova canção.

foi quando abri as asas da imaginação
foi quando tudo deixei fluir...

mas agora eu percebi,
que por mais que eu encha a bagagem de mim,
menos carrego de ti.

daí, tudo pesa igual,
eu sozinho na mala
ou "o outro" sozinho igual a passarinho,
que quando fica junto faz ninho,
mas na verdade,
cada um voa sozinho.


AndréBessaZacché - 22/04/2010

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